Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Pedaços de Amor

Sou um poema sem título. Palavras incompletas, gavetas entreabertas. Tantas frases por dizer, tantas histórias por contar. Aqui, com o meu coração espelhado, deixo o meu livro inacabado.

Pedaços de Amor

Sou um poema sem título. Palavras incompletas, gavetas entreabertas. Tantas frases por dizer, tantas histórias por contar. Aqui, com o meu coração espelhado, deixo o meu livro inacabado.

Encontros amargos

Daqui a uns dias fazes anos. Havemos de nos encontrar, de jantar todos juntos, de te dar as prendas que pediste. Fazemos de conta que está tudo bem, que não há nada para dizer, que nunca existiram árduas discussões.

O aniversário deve ser uma forma de celebrar a vida. De sorrir, de desejar, de agradecer e expectar por mais. O problema reside quando já não se consegue nada disso. Invade-nos a culpa, a tristeza e a frustração. Um crescendo de sentimentos negativos com os quais tenho aprendido a trabalhar. 

Há uns dias, ao analisarmos um caso, houve um professor que nos disse qualquer coisa do género: será muito dificíl ser-se pai quando nunca se foi filho. No sentido figurativo da palavra. E eu, temperamentalmente inibida por excelência, estremeci por dentro mas calei. A verdade é que, por vezes, é difícil ser-se o que quer que seja.

Tornei-me mulher numa casa cheia de homens, rastejando nos modelos que fui vendo por aí. Neguei-me a mim mesma, conheci um mundo sombrio e entreguei-me à insegurança pela qual muitas vezes me rejo. 

Conheço as minhas qualidades, é claro. Não obstante a algum desagrado que, infortunadamente, tenho por mim, reconheço a resiliência, a persistência e preserverança que me são subjacentes. Mais do que saber o que quero ser - porque estamos sempre sujeitos a mudanças -, sei o que não quero ser. Pena que seja nesse aspeto que te tenha como exemplo. 

Hoje, construí as minhas próprias armas para enfrentar o mundo. Apoiei-me nas pessoas que não me têm deixado cair, sejam elas amigas, familiares ou outros. Tornei real o clichê de que a família são aqueles que nós escolhemos. Mas nem por isso deixei de sentir a tua falta. Ou melhor, a falta da idealização que tenho do que deverias ter sido. Ou do que poderíamos ter sido. Serás sempre o meu ponto fraco e a razão pela qual mais me sinto revoltada com a vida, nos dias cinzentos que todos temos, como eu tenho hoje. Por isso, aprendi a construir uma barreira entre nós, e a evitar os nossos encontros amargos.  

Mas, daqui a uns dias, fazes anos. Havemos de nos encontrar, de jantar todos juntos, de te dar as prendas que pediste. Fazemos de conta que está tudo bem, que não há nada para dizer, que nunca existiram árduas discussões.

E a criança que vive dentro de mim continuará a ter esperança de que um dia venhas a mudar e nos possamos relacionar.